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Tu-agora-vais-para-a-creche-e-agora-é-que-vai-ser.Vais-comer-de-tudo-e-mais-nada!

Os bons hábitos alimentares não se adquirem em casa do vizinho, ou na creche, ou no jardim… mas sim a observar o pai e a mãe a comer.

Os pais (e sobretudo a mãe, pela proximidade inerente à relação), são as pessoas que mais influência têm na escolha dos alimentos da criança. Os grandes papás-doutores em nutrição. Que, muitas vezes, precisavam de umas aulinhas de pós-doc para aprimorar a técnica…

Pois.

Que exemplo tem a criança quando vê os pais a beberem refrigerantes diariamente, a não comer sopa (e a querer que eles comam!), a petiscar salgadinhos e outras guloseimas em frente à televisão? Como é que a criança pode adquirir o gosto por trincar uma maçã entre refeições e beber água ao longo do dia?

Os hábitos alimentares (bons ou maus) adquirem-se em família, pelo menos três vezes ao dia, 365 dias por ano, muito antes de ouvir falar de vitaminas e minerais e proteínas contidos nos alimentos. O prazer de comer alimentos saudáveis desenvolve-se com o tempo.

Já falámos aqui sobre a importância de treinar o paladar do bebé. E na tarefa de identificar os alimentos indicados para cada fase de desenvolvimento, os pais não têm de fazer tudo sozinhos! Podem e devem solicitar ajuda ao seu médico assistente para que este identifique os alimentos mais indicados nos primeiros anos de vida, assim como a quantidade e a frequência adequadas às necessidades do seu bebé.

 

Conselhos Úteis

O sabor doce é inato e, portanto, o treino do paladar para sabores não-doces deverá ser maior. Assim, no meu leigo entender (e no de muitos pediatras), a diversificação alimentar deve iniciar-se com a administração de sopas ou caldos de legumes.

Iniciados aos 6 meses (de preferência não antes e para quem pode, claro).

Uma nota importante é a de que qualquer que seja a idade do seu bebé, junte à sopa um pouco de azeite em cru (não ferva juntamente com a sopa).

O bebé pode começar a comer sopa – a princípio um caldo simples – de alface, abóbora (cuidado com a quantidade, verifique se a planta dos bebés do seu está alaranjada; caso esteja elimine a abóbora por um tempo), cenoura (se o seu bebé tiver cólicas, evite usar cenoura, já que dificulta o trânsito intestinal), batata doce, batata, couve-flor, feijão-verde, alho, alho-francês, lentilhas sem casca (cor-de-laranja), alho, cebola, tronchuda, penca, vagem, ou agrião, sempre muito bem passado e introduzindo um, ou no máximo dois ingredientes novos por semana.

Também a partir dos 6 meses, o bebé poderá começar a experimentar frutas. Não muitas, na verdade. Mas algumas como: maçã, pêra (estas duas cozidas ou assadas, com casca e caroço ou em vapor) e banana.

Aos 7 meses pode introduzir-se peixe magro como solha, linguado, pescada

A partir dos 8/9 meses pode dar-se farinha de pau, açorda, massa, puré de batata e/ou beterraba, sempre com cuidado para que o bebé não se engasgue.

A partir dos 9 meses podemos oferecer a gema do ovo (2/3 por semana e apenas a gema, já que a clara tem alto potencial alérgico), sendo que a gema do ovo poderá substituir qualquer proteína animal. Por exemplo, pode dar ao seu bebé uma batatinha amassada com gema de ovo e um fio de azeite.

A partir dos 10/12 meses podemos oferecer feijão, ervilha, fava, lentilha e grão. No caso de bebés com cólicas, talvez seja melhor dar de forma mais progressiva (sem fazer da leguminosa uma refeição por inteiro) ou adiar a oferta ao seu bebé. As leguminosas interferem, como é sabido, com o sistema gastro-intestinal.

Também por volta dos 12 meses podemos experimentar a clara do ovo e o salmão e outros peixes gordos, mas em poucas quantidades.

Outros legumes como espinafre, nabo, nabiça, beterraba, rabanete, couve introduzem-se após os 10/12 meses, por terem um elevado teor de nitrato e fitato.

Alimentos com forte potencial alérgico, como é o caso do morango, kiwi, frutos silvestres, do aipo, dos crustáceos, dos alimentos do mar e dos frutos gordos em especial o amendoim, só devem ser introduzidos depois do primeiro ano de vida.

A partir daqui entra também em jogo a criatividade de cada um.

Um bolo caseiro, um arroz doce de fruta, uma gelado de manga e maracujá (nham nham Inês!), ou uns biscoitos com formas de animais, podem ser sobremesas saudáveis para todos.

E lembre-se de que sabe sempre bem fazer uma asneira de vez em quando. Para si e para os pequenos.

E se até nos menus semanais das dietas alimentares mais conhecidas é introduzido ‘o dia da asneira’ porque não fazê-lo com os seus filhotes? :)

Vá lá… e não se esqueça de transformar o velho ditado: ‘ Faz o que digo…’ em faz o que faço.

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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