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A alimentação deve ocupar o lugar que lhe é devido na vida quotidiana: nem de mais nem de menos. A sua função deve ser a de satisfazer as necessidades do organismo e, ao mesmo tempo, satisfazer os desejos do paladar. Estas duas funções completam-se, mas não se devem sobrepor. Uma alimentação rica em vitaminas, minerais e proteínas, mas pobre em sabor, pode responder às necessidades nutritivas mas não pode satisfazer a pessoa durante muito tempo!

E o que seria de nós se não existisse prazer em comer? A vida seria insípida, acabavam as comezainas, as almoçaradas e jantaradas, as mariscadas de Verão, os clubes de gastronomia, em última instância, a obesidade.

Ideal, será encontrar na comida prazer e nutrição: a base de uma alimentação saudável e equilibrada.

A criança amamentada a peito que é alimentada quando tem fome, sente uma certa satisfação física; além do mais, o calor e a ternura que a mãe lhe transmite durante a mamada, contribuem para o estabelecimento de uma satisfação emocional.

E para o bebé, a satisfação física e a satisfação emocional caracterizam a junção da nutrição e do prazer em resposta a duas necessidades distintas.

Mas como reuni-las sem as confundir?

Se o bebé é alimentado assim que chora ou alimentado em excesso (muitas vezes com a desculpa de que ‘com a barriguinha cheia dorme muito melhor’), haverá confusão na mente do bebé. Ao fim de algum tempo, será difícil estabelecer a diferença entre a fome, a necessidade de comer e outros sinais de desconforto que nada têm a ver com falta de alimento. Para este bebé, ser alimentado tornou-se a solução para os seus problemas: necessidade de atenção, afecto, distracção, brincadeira, etc.

Alguns estudos sobre distúrbios alimentares (recusa alimentar sistemática, consumo descontrolado de alimentos, outros) referem que estas perturbações parecem estar ligadas a experiências precoces.

Quando estes quadros patológicos se instalam, o alimento deixa de representar a resposta a uma necessidade nutritiva, mas passa a simbolizar quase exclusivamente:

  1. um desejo insaciável de um amor inacessível;
  2. uma expressão de raiva, ódio;
  3. uma recusa ascética;
  4. uma substituição da necessidade sexual;
  5. uma defesa contra a maturidade e responsabilidade;
  6. uma falsa sensação de poder.

 

Se obrigamos o bebé a beber o biberão até ao fim, a comer a sopa toda que está no prato, estamos a impedi-lo de exercer controle sobre as suas sensações físicas: respeitemos a sua individualidade! A mãe que dá de comer ao filho para ‘calar’ o seu choro, para consolar de um desgosto ou frustração, cria nele uma confusão mental impedindo-o de estabelecer a diferença entre fome e necessidade de afecto, por exemplo.

Por outro lado, um bebé que mama trinta minutos em cada mama, mama certamente de mais. A mãe deverá ajudá-lo a aprender a ‘controlar a fome’ nas primeiras semanas de vida.

O bebé recém-nascido traz consigo uma bagagem de capacidades que se manifestam desde logo:

É capaz de chorar, de tossir, de engolir, de vomitar

É capaz de cheirar, de ouvir, é sensível à dor, ao tacto

É capaz de chupar o seu próprio dedo, ou tetina

É capaz de voltar a cabeça na direcção da face que lhe tocamos

As reacções da mãe perante o comportamento do seu bebé são de extrema importância para o seu desenvolvimento, uma vez que permitem ao bebé conhecer-se melhor: a reacção devida no momento devido é fundamental.

Quando um bebé mostra alguma relutância pela carne, peixe, papas, no momento da introdução de novos alimentos, mais vale não insistir. Tente dar-lhe esse alimento mais difícil numa outra altura juntamente com um outro alimento de que ele goste. Tente ser paciente e compreensiva: isto é uma aprendizagem, pouco a pouco chegaremos lá! Além disso, seria uma falta de respeito para com a criança obrigá-la a engolir alimentos só porque o sr. dr. mandou ou porque sim.

O apetite do bebé pode sofrer variações, que poderão estar relacionadas com os ritmos de crescimento. Uma mãe que compreende e reage positivamente às mensagens transmitidas, permitirá ao bebé participar activamente no seu próprio processo de alimentação.

 

 

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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