narcissus

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Nove meses. 39 semanas de amor, carinho e escuta. De angústias. De projectos. De prazer especial. De medos. De…

Durante (sensivelmente) 40 semanas, o bebé cresceu numa bolsa líquida, quente, que tudo lhe dava para se desenvolver. Estar na barriga da mãe é como estar numa biblioteca dos sentidos. É aí que ouve o pulsar do seu coração e do coração da mãe, é aí que ouve as vozes (sobretudo a da mãe). Foi aí que se sentiu tocado, acariciado, desejado e amado, foi aí que se tornou humano e começou a Existir. Foi aí que nasceu a sua auto-estima (conceito de grande complexidade e determinado essencialmente pelas experiências de vida iniciais) que vai determinar em grande parte o modo como este bebé-indivíduo irá construir e estabelecer relacionamentos e a forma como irá reagir e adaptar-se ou não às várias situações com se irá deparar ao longo da sua vida.

Quando se fala de autoestima há algumas questões que se levantam: o que é a autoestima? Qual o seu impacto e influência nas experiências do dia-a-dia? Como é que se desenvolve e evolui? Como se pode transformar uma baixa numa elevada estima de si?
A autoestima é o valor autoatribuído, aceitação pessoal pelo próprio ou um sentimento de competência pessoal auto-percebida.

A auto-estima é algo que se desenvolve no ventre, no berço e nos primeiros anos de vida. E os pais desempenham aqui um papel muito importante, pois é através dos comportamentos verbais e não verbais dirigidos ao bebé e à criança, que os pais vão permitir que ela desenvolva uma imagem positiva (ou negativa) de si mesma.

Quando Coimbra de Matos nos diz que “só pode amar e amar-se quem foi amado”, ele acredita que numa sequência natural, trata-se de um processo que se inicia no ser-se amado e desejado (pelos bons pais, biológicos ou adoptivos), que passa posteriormente pela capacidade de amar (amar-se a si próprio) para finalmente se ser capaz de amar o outro.

Isto pressupõe por parte dos pais:

  • um amar incondicional e a não exigência de retribuição desse amor;
  • sensibilidade ao que a criança diz, sente ou pensa, levando-a a sério;
  • transmitir-lhe sinais constantes de amor e saber transmiti-los;
  • transmitir à criança uma boa imagem de si próprio;
  • aceitar a criança tal como ela é, e tratá-la com dignidade;
  • tornar a criança capaz de tornar-se autónoma, acreditar em si própria e nas suas competências;
  • ser capaz de aceitar desafios e ultrapassar problemas;
  • ser capaz de relacionar-se com os outros e de forma saudável.

E os pais deverão ter em atenção a importância:

  • de conseguirem colocar-se na pele dos filhos, tornando-se mais sensíveis em relação ao que pensa e sente;
  • de levar o filho a sério;
  • de observar a forma como o seu filho se vê e se avalia: ela influencia os seus actos;
  • da imagem que passam de si próprios para os filhos: as crianças cujos pais têm uma imagem negativa de si, têm mais dificuldade em ver-se de forma positiva.

Isto tudo conflui para a importância da opinião que o seu filho tem de si próprio: ela influencia consideravelmente a sua propensão para ter êxito e uma vida feliz!

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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