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O gravidez.pt resolveu colocar um desafio a uma das mamãs da blogosfera que melhor explica o que é a tropa das mamãs (sim, porque isto de ser mamã é pior que a tropa): a simpática Inês do Maravilhas da Maternidade.

E nas vésperas de ser mãe pela segunda vez… aqui ficam as maravilhosas maravilhas da Inês.

 

1 – Com dois adjectivos, quem é a Inês? 

Pragmática mas desorganizada.

 

2 – O blog é um projecto a tempo inteiro?

O blog é um projecto que cada vez ocupa uma fatia maior do meu tempo, mas infelizmente não é um projecto a tempo inteiro. Adorava que os meus projectos a tempo inteiro passassem apenas pelo blog e o Carrossel (www.facebook.com/ocarrossel), mas (ainda!) não…

 

3 – A Maternidade: é só maravilhas?

Só maravilhas! Das verdadeiramente maravilhosas e das cinicamente maravilhosas. Aquelas que nos fazem revirar os olhos e dizer que “maravilha de vómito, que maravilha de noite em branco, oh para mim que estou maravilhada com esta tragédia de choro e ranho…” No balanço final, a qualidade e intensidade das primeiras maravilhas tem de suplantar a quantidade, o aborrecimento e tensão das outras “maravilhas”. Porque nós queremos muito umas, mas não podemos fugir das outras, faz tudo parte da maternidade.

4 – Está a viver uma segunda gravidez. Com alguma diferença em relação à primeira?

A gravidez em si não está a ser muito diferente, sinto as mesmas fases e reacções do corpo, até o timing é o mesmo, são dois rapazes em gravidez de Verão e nascimento no início do Outono. O encanto é outro, já não há tanta novidade, mas há mais oportunidade para atentar mais profundamente no que se está a passar comigo, tentar viver os pormenores, porque é a segunda vez que passo por esta experiência única – contraditório, mas verdadeiro. Infelizmente, o tempo livre é pouco e o stress com o dia-a-dia é muito, o que desvia muito a atenção e dedicação que queria prestar ao meu filhote mais novo… 

5 – O que pensa que, com este segundo filho, pode vir a ser diferente?

Ele vai ter um irmão mais velho, que vai interferir no seu sossego e iluminar os seus dias. Vai ter esse herói só para ele, vai ter pais mais experientes e seguros, mas com menos disponibilidade. Vai ser um desafio enorme passar de um para dois filhos, mas é um filho muito desejado e que vem completar a nossa pequena família.

 

6 – Em relação à gravidez e pós-parto, quer deixar-nos algumas dicas que considere importantes para as leitoras?

O meu blog está cheio de conselhos, que me deram e que eu dou, de experiências que me ensinam muito, de partilha das leitoras – agora mais no Facebook, curiosamente! Não sei se sou a melhor pessoa para dar conselhos, primeiro porque não tenho essa pretensão de aconselhar, apesar de muitas vezes não resistir a dar a minha opinião ou partilhar a forma como eu faço as coisas, ou gostaria de as fazer. Se eu puder resumir a um super conselho para cada fase… Na gravidez, não vale a pena fazer um drama de tudo o que nos vai acontecendo, porque depois do nascimento, é que vai ser a matar! Levar as coisas com calma ajuda à gravidez, à nossa energia e auto-estima e a passar bem à fase seguinte, a do resto da nossa vida, que definitivamente vai mudar para sempre! 
No pós-parto, o pensamento é um pouco o mesmo, não fazer dramas, tentar não perder a calma, apesar de às vezes poder ser difícil… Diria que é muito importante aceitar a ajuda que nos possam dar com a casa (alimentar os pais, passar a ferro, arrumar), para que os pais possam estar disponíveis para o bebé. Toda a gente se oferece para ajudar com o bebé, mas quem precisa de ajuda são os pais! Outra pedra de toque é a criação de rotinas desde o dia 1, para o bebé é o melhor e para os pais também porque lhes dá alguma previsibilidade, ajuda a compreender melhor o bebé, quando ele sai da rotina criada e a terem todos uma estrutura que vai construir e desenvolver os dias.

 

7 – E o pai, como fica na equação? 

O pai é parte fundamental na equação. Na minha equação é o meu par, somos uma equipa, sem ele eu estaria perdida. O pai assume o controlo quando eu já estou com o bebé há muitas horas seguidas, ou quando ele chora muito e eu tenho de me retirar e respirar um pouco. O pai tem de saber fazer tudo o que eu sei fazer, e cada vez querem mais e sabem fazê-lo tão bem ou até melhor do que nós! Eu dei o meu primeiro banho ao Pedro quando ele tinha quase três meses de idade – esse, por exemplo, era um momento em que eu era apenas a assistente. Desta vez, o pai vai ter ainda a espinhosa missão de compensar o máximo possível a minha ausência perante o nosso filho mais velho e vai ser o meu SOS. Eu admiro imenso uma mãe que passe sozinha por uma gravidez e pós parto (e infância e tudo!), porque é muito difícil fazê-lo sozinha, quando não se tem alternativa, é muito difícil. Uma mãe que deliberadamente tira um pai que queira participar da equação, por querer controlar tudo sozinha, está a meter-se em apuros, mais cedo ou mais tarde e em várias frentes…  

 

8 – Indique algumas estratégias/dicas importantes para mães.

Penso que o que disse nas respostas anteriores também respondem um pouco a esta questão, mas talvez seja de reforçar que podemos ser sensíveis, doces, queridas, mas sem cair na hiper sensibilidade ou auto-comiseração, elas só gastam energia e tempo e só nos vão prejudicar, a nós e à nossa família. Por isso, há que simplificar, há que reduzir, há que contornar muito obstáculos, enfrentar outros tantos e pouparmo-nos o mais possível. Mais uma vez, criar rotinas, e ainda ser mãe e pai e não “amiguinho”, dar estrutura aos nossos filhos é o melhor que podemos fazer por eles e pela família num todo.
 

9 – O que carrega neste momento na mala da maternidade?

Ainda não a fiz! Mas já estou a começar a reunir o que preciso e no blog estará tudo, desta vez vou tentar documentar melhor esta fase final. Por exemplo, não vão faltar Tena Pants (achei muito desconfortáveis as cuecas descartáveis e os pensos gigantes), uma chupeta (para o que der e vier, o meu filho sempre chuchou e mamou sem problemas ou confusões) e o meu telemóvel, para me manter ligada ao mundo exterior.
  

10 – Estamos em 2030. Como está a Inês e a sua família? 

Ui, os miúdos serão adolescentes, M E D O . Espero que eles estejam bem, verdadeiramente bem, a acabar de construir uma personalidade forte, boa, íntegra e trabalhadora, a gostar de estar com os cotas dos pais, a não nos dar demasiadas preocupações! Espero estar realizada profissionalmente, a não ter demasiadas preocupações nesse sector. Sobretudo, espero ter a minha família intacta, todos por cá e a fazer acontecer. Espero com todo o coração ter ao meu lado o meu marido, não há nenhuma outra pessoa com quem eu queira envelhecer cada dia mais um pouco.

 

 

Obrigada querida Inês.

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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