Baby lying indoors crying

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     As cólicas do recém-nascido o grande monstro indomável, incompreensível e muitas vezes de difícil acalmia.

     Trata-se de um quadro benigno, com um exame físico normal (não existem alterações somáticas), tido como normal e que aparece normalmente por volta das 2/3 semanas, desaparecendo por volta do 3º mês de vida.

     Geralmente, tratam-se de bebés hipertónicos, que comem com grande voracidade. As mães, são geralmente muito ansiosas e que mostram uma excessiva solicitude e/ou impaciência para com o estado de cólicas do seu bebé. Ora, é no casamento entre esta excessiva solicitude materna e a hipertonia do bebé que se joga o problema das cólicas: este bebé reage mais facilmente do que o normal ao desconforto e, a resposta ansiosa da mãe (que muitas vezes dá mais leite), aumenta ainda mais o dissabor (sobrecarga gástrica=mais cólicas). Chupar no dedo ou usar a chucha apazigua e diminui o quadro das cólicas.

     É extremamente angustiante para os pais observar o seu bebé a chorar inconsolavelmente e isso resvala num estado parental de grande ansiedade. Esta ansiedade dos pais, que muitas vezes os leva a ‘mover este mundo e o outro’ para acalmar o bebé, piora a sintomatologia. É, então, importante que os pais se mantenham conscientes de que se trata de uma evidência passageira e que o importante é manter a calma e agir de forma a minimizar os sintomas.

     É importante que os pais tenham presente que o bebé necessita de chorar: o choro é essencial para o normal desenvolvimento do sistema nervoso, para a libertação do stress e até para conquistar a rotina do sono, da alimentação, do estado de alerta e da aprendizagem. Perante um quadro de choro os pais devem mimar e acarinhar o seu filho para que ele se sinta seguro.

dois pontos-chave no que se refere ao cuidado do recém-nascido com cólicas, que são:

 

1 – Alguns cuidados alimentares particulares da mãe que amamenta:

  • Condicionar a ingestão de alimentos que produzam gás: couve-flor, brócolos, couve-de-bruxelas, couve verde escura, grelos, pepino, pimentão verde e vermelho, cebola crua e favas;
  • Evite a utilização de condimentos e especiarias;
  • Não ingira bebidas estimulantes (chá preto, bebidas à base de chá, café e álcool) ou sumos gaseificados;
  • Reduza o consumo de frutos como: citrinos, kiwi, banana, morangos e frutos silvestres;
  • Não exagere no consumo de leite de vaca ou derivados (não tome nenhum de preferência);
  • Minimize a quantidade de alimentos crus na dieta diária. A sua dieta deve consistir em 70 a 80% de alimentos cozidos e apenas 20 a 30% de alimentos crus, dando preferência a cozidos, grelhados, assados e fruta cozida. Os alimentos crus têm um processamento mais lento, o que pode dificultar o processo digestivo;
  • Tenha uma dieta diversificada, rica em ovos, carne, peixe, cereais e saladas;
  • Ingira bastantes líquidos tais como: água, infusão de cidreira, camomila ou de funcho.

 

2 – O que fazer para favorecer o trânsito intestinal e o alívio das cólicas:

  • Mantenha a calma e controle a ansiedade, manipulando o bebé de forma suave e falando com um tom de voz tranquila;
  • Amamente preferencialmente na posição de sentada, para que o bebé esteja o mais erecto possível, contrariando assim ingestão de ar enquanto o bebé mama;
  • Ajude o bebé a fazer uma boa pega e manter a mesma enquanto mama. A mãe deve ajudar o bebé a fazer a pega comprimindo suavemente a mama com os dedos polegar e indicador atrás da auréola;
  • Evite que o bebé adormeça várias vezes ao peito enquanto está a mamar. Quanto mais tempo demorar a mamada mais ar o bebé vai engolir e consequentemente mais cólicas irá ter. Estimule-o conversando com ele, fazendo cócegas nos pés, apertando o nariz, tocando debaixo do queixo;
  • Faça duas ou três pausas durante a mamada, para que o bebé arrote à medida que vai mamando. São, geralmente, bebés que mamam sofregamente, engolindo muito ar;
  • Enquanto espera que o bebé arrote coloque-o na posição o mais vertical possível, com a cabeça apoiada num dos ombros de quem o segura no colo;
  • Dê ao bebé um banho morno (pode recordar-lhe o útero e acalmá-lo);
  • Vista roupas confortáveis e que permitam o movimento livre das pernas;
  • Não aperte demasiado a região abdominal com a fralda ou roupa;
  • A massagem do bebé revela-se uma ajuda importante e fundamental;
  • Coloque o bebé de bruços, vestido, sobre uma bolsa de água morna envolta numa toalha;
  • Coloque o bebé numa posição confortável: ponha-o no seu antebraço, com a barriga apoiada na sua mão e massaje-lhe as costas suavemente.

 

Poderá, com a ajuda do seu médico, procurar alguns ‘remédios santos’: Colimil, Biogaia ou ainda Colikind (homeopático), entre outros.


  

Acima de tudo, mantenha a calma. Geralmente a cólica cessa devido à maturação do sistema gastrointestinal, devido à ‘aprendizagem’, devido ao ajuste progressivo da mãe ao seu filho e, devido ao facto do bebé descobrir novas vias de descarga da tensão (sucção do polegar, da chupeta, etc).

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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