MotherChildsqare

por

É um quadro patológico mais comum do que se julga, mas não é normal.

Segundo dados da OMS, estima-se que a nível mundial 1 em cada 5 parturientes vem a padecer de depressão pós-parto.

Uma. Em. Cinco.

E sabe-se que a saúde mental da mãe é fundamental para o salutar desenvolvimento psicológico do bebé.

E também se sabe que muito pouco ou nada é feito (e não só cá em Portugal) ao nível dos programas de saúde materno-infantil, por forma a aceder e prestar apoio psicológico (e/ou psicofarmacológico) a estas recém-mamãs.

E ainda sabemos (?) que se esta forma de encarar as novas vidas que nascem diariamente, e que passa por fornecer um sólido suporte à MÃE, não muda… a situação vai piorando… e piorando.

É importante dizer que um quadro depressivo é diferente de ter alterações de humor. A depressão diz respeito a um conjunto de sinais e sintomas que perduram consistentemente durante um período de tempo (duas ou mais semanas) e que interfere com a vida afectiva, social e com a sua relação consigo próprio.

E como detectar possíveis sintomas?

A sintomatologia depende de mulher para mulher. É importante prestar atenção aos sintomas que se seguem, nunca esquecendo que deverá ser honesta consigo própria, não deverá sentir vergonha, ou sentir qualquer tipo de culpabilidade por perceber a sua fragilidade e/ou incapacidade para cuidar do bebé naquele momento.

 

  • Ansiedade sentida durante maior parte do tempo e que não diminui significativamente
  • Lamentos relativamente à sua capacidade de ser mãe
  • Medo de magoar o seu bebé ou a si mesma
  • Sentimentos persistentes de que não é boa mãe, apesar da confirmação de todos os que a rodeiam
  • Letargia
  • Sentimento de que o bebé não gosta de si porque chora ou não se está a alimentar convenientemente
  • Desinteresse pelo bebé
  • Sono perturbado
  • Cansaço extremo
  • Dificuldade na tomada de decisões
  • Perda da líbido
  • Perda de apetite ou apetite exacerbado
  • Hostilidade e indiferença para com entes queridos
  • Sintomatologia física: problemas de pele, problemas digestivos ou outras dores crónicas sem causa física aparente
  • Sentimentos de solidão/isolamento
  • Repentino aumento de energia aliado a uma perturbação do sono e que pode ou não estar associado a ver coisas ou ouvir coisas que não existem realmente.
  • Sentimento generalizado de ‘não se sentir como sendo o próprio’

Por favor mãe, lembre-se de que ser mãe é um grande desafio para a Mulher, mas não deverá ser algo vivido como stressante, angustiante e que leva a que se sinta miserável.

Se neste momento se pergunta ‘Será isto normal para mim quando estou bem?’ e a resposta é não, então procure ajuda profissional. Não precisa de passar pela depressão pós-parto. E o seu bebé agradece. E muito.

 

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

Latest posts by Helena Eiro Ferreira (see all)