Baby poop in diaper

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A seguir ao amor, a disciplina é a segunda dádiva mais importante que os pais podem dar a um filho.

A preocupação dos pais reside em disciplinar a criança sem ser ríspido, perceber que tipo de castigos são adequados, etc. Eu acredito que os pais percebem que estabelecer limites é fundamental  para o desenvolvimento da criança, no entanto trata-se da tarefa mais difícil a ser feita pelo casal parental.

Não podemos também esquecer que o passado dos pais, enquanto filhos de seus pais, também irá influenciar a forma como os limites serão por si impostos. Alguns pais afligem-se por se recordarem de terem sido disciplinados rigorosamente e temem repetir o feito com os seus próprios filhos, temendo originar situações traumáticas (como foram para si).

Disciplinar não é sinónimo de Ensinar. Um castigo poderá ser aplicado e ser necessário para impor alguma disciplina, no entanto deverá ser aplicado imediatamente após o mau comportamento da criança, deve ser breve e respeitar os sentimentos da criança.

O que se passa é que as crianças (e mesmo bebés!) sentem que precisam de regras e tentam ‘abusar’ obrigando os pais a impor limites. Isto passa-se com bebés de 4 meses, assim como com crianças de 6 anos.

Em todas as fases de desenvolvimento existem alguns comportamentos que parecem demasiado agressivos e descontrolados, mas que são normais. O problema coloca-se se nós, adultos, lhes reagirmos com excessiva ‘animosidade’, o que, numa fase exploratória, poderá reforçar ainda mais esses ditos comportamentos…

Eu diria que, no que às regras e limites diz respeito, os pais deverão funcionar como um bom colchão: deverão ser firmes, não rígidos.

Winnicott, pediatra inglês, fala da mãe suficientemente boa que, entre outras qualidades, é aquela que oferece um holding para permitir o desenvolvimento saudável do seu bebé. Oferecer holding, é dar um limite seguro para a criança se desenvolver, limite este que precisa continuar a existir ao longo da sua vida. Mas, essa mãe, também precisa ensinar o seu bebé a tolerar frustrações e, desde cedo, perceber que existem limites externos que ele – o bebé – não controla.

O limite é, então, psicológico e socialmente estruturante. Ele permite-nos observar a dimensão da realidade, diz o que se pode ou não fazer/ser, onde começa o desejo e onde termina a possibilidade de o exercer. E, assim, o sujeito constrói uma auto-imagem interna, aprendendo a perceber-se a si próprio em contexto, pois sua existência não se dá senão em relação.

Acima de tudo, é necessário que os pais se reconheçam como capazes de desempenhar tal papel e acreditem que, na base da construção da disciplina e da colocação do limite, está o afecto e o legítimo interesse pelo outro, numa espécie de autoridade interna.

‘Olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço’

Não é o que se diz, mas a emoção (o sentimento que se deposita) com que se fala que define o dizer como uma acção. Um escutar que aceita o outro ou um escutar que o desvaloriza levam a significações diferentes, definindo acções diferentes na relação. Os significados que se formam estão relacionados intimamente com o estado emocional de quem participa desta conversação (as emoções que sustentam).

Podemos dizer que colocar limites é uma acção que se fundamenta numa emoção. Traz consigo uma carga afectiva que é percebida pelo outro e que, portanto, desencadeia também uma resposta afectiva.

Assim, estabelecer limites tem a ver com estabelecer regras, normas, que não são escolhidas aleatoriamente, mas que tem muito a ver com estados emocionais e com contextos socioculturais nos quais emergem. Estabelecer limites e disciplinar podem ser entendidos como um acto de afecto, que respeita e legitima o outro, proporcionando-lhe melhores condições de adaptação à realidade.

  • Alguns aspectos que considero importantes clarificar:

–  Uma relação de amor está na base de toda a disciplina.

–  Os pais são os primeiros modelos dos seus filhos.

–  As crianças sentem-se seguras quando lhes fixamos limites.

–  As regras são necessárias para o bom funcionamento de todo o grupo social, incluindo da família.

–  As regras devem ser estabelecidas em função da idade das crianças, tendo em conta as suas necessidades.

–  Após terem estabelecido as regras, é importante que os adultos prevejam as consequências que delas decorrem.

–  Nos períodos de crise, a criança deve verificar que o amor dos pais se mantém igual (mantém a sua autoconfiança, apesar das dificuldades com que se depara).

–  Guardar a disciplina para os assuntos importantes e realmente graves.

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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