NOSSO-PRIMEIRO-NATAL-COM-A-MARINA

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A estreia do bebé. Do seu. Do meu. Ela é a verdadeira protagonista.

A música, a árvore no pisca-pisca, o presépio, as pessoas atarefadas, as velinhas, os presentes, papéis e fitas, cozinhados especiais… todo o ambiente é extraordinário e mágico. Sempre senti assim a época natalícia. Gostava que um dia a Loti também se recordasse dos seus Natais como algo bom, quentinho, de família.

Pergunto-me se um bebé de poucos meses será pequeno para perceber o que é o Natal. Penso que sim. No entanto, percebe certamente o que vê, o que ouve, o que cheira, o que agarra… isso percebe claro.

Certo é que pode e deve desfrutar do dia de festa, da família reunida, das músicas, das cores, da alegria e do amor vividos! Ficarão recordações queridas na sua memória inconsciente.

No entanto, para que estes dias representem uma experiência feliz, convém conciliar o momento passado em família com o respeito pelos ritmos de cada bebé/criança. É importante lembrarmo-nos (e lembrar outros) de que os hábitos e rotinas dos bebés/crianças são muito diferentes dos dos adultos, a capacidade de adaptação a mudanças é muito diferente. Convém tormarmos alguns cuidados relativamente à organização destes dias (de festa) dos bebés/crianças.

É claro que o melhor melhor seria celebrar o Natal na sua casa, num ambiente conhecido pelo seu bebé. Mas o que a tradição manda é festejar o Natal junto da família, geralmente em casa de avós/pais. Se for este último o seu caso, procure ‘arranjar’ um quarto tranquilo e confortável para que o seu bebé descanse (leve o objecto de consolo).

‘ Ah, este ano é que vai ser… ver a C. a desembrulhar os presentes, vai ser memorável!’ Ah e tal… pois vai, com ela à meia-noite no seu 7º soninho só se for. Conhece o seu filho melhor que ninguém. Tente perceber se tolera mal as alterações de horários, o que os faz ficar irritados, queixosos, chorosos (bem-vindo ao clube). Pois tenho muita pena mas a minha Loti não é bebé que sossegue com uma sesta mais longa. Não. Pois ela tem que ver o que se passa, todo o reboliço e entra-e-sai, a campaínha que toca, o cabrito do cliente do avô que chega, a amiga da avó que vai dar os últimos retoques na decoração. Pois. Loti, abres os presentes no dia 25 (dia de aniversário do pai!) ao almoço e será ma-ra-vi-lho-so na mesma! :) Não renunciando aos festejos natalícios… nós, pais, temos que nos adaptar às características da nossa baby C.

Ah! Normal será os familiares procurarem as crianças mostrando-lhes o seu carinho e necessidade de maior proximidade física. Pois… na maioria das vezes não estão para aí virados… Não sejamos aborrecidos com ‘dá cá um beijinho a…’ ou ‘mostra lá como danças bem’ qual macaquinho do circo. Podemos ser carinhosos com os bebés e crianças sem abraços contínuos, sem obrigar a estar ao colo quando querem é explorar, a serem cidadãos perfeitos. Há que respeitar as distâncias de que eles necessitam.

‘O que lhe compro? O que precisa a C.?’ perguntam-me. Pois… Vai adorar os presentes? Vai certamente, nem que seja pelo embrulho.

Cheguem a acordo com familiares quanto ao número de presentes da criança. Convém não exagerar, além de que mais do que um ou dois presentes de cada vez vão impedi-lo de disfrutar dos restantes presentes… e estamos em tempos difíceis. Se tiver muitos presentes vá oferecendo ao longo de alguns dias. Ou doe a alguém que não tenha nenhum presente para ser surpreendido!

Tenho dito.

Por agora.

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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