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Até agora foram 8 meses de expectativas! Mas algo é certo: A VIDA VAI MUDAR.

Tudo começou com planos, com “chamamentos” sócio-biológicos e afetivos para a parentalidade. Passámos pelo compromisso relacional entre o casal e o desejo de o efetivar através da criação de uma família com descendentes! A célebre expressão “Escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho traz o verdadeiro significado à nossa existência humana” parece pesar quando se avista ou se entra na 3ª década de vida. Quer dizer, isto pesa mais para uns que para outros, mas vou-me associar ao papá da Ema para não gerar discórdia precoce!

Na verdade o simples facto de comentarmos e partilharmos ideias, objetivos e projetos a 2, em que o assunto prole está integrado … deixa a porta aberta para que a Gravidez/Parentalidade entre no nosso mundo! Avanços e recuos foram constantes, mas finalmente ao fim de 11 anos de relação, convencemo-nos que a próxima etapa da nossa vida a 2 podia ser preenchida por um novo membro: um bebé nosso! É claro que não foi assim tão simples, nem tão cor-de-rosa … mas confiámos um no outro ao ponto de avançarmos para um projeto comum e tão importante como a “GRAVIDEZ da EMA”. Na verdade a mamã ficou com os pés mais no chão que o papá, mas o contra-balanço é bom pois um puxa o outro (e vice-versa) para que o equilíbrio seja tendencialmente mantido (ou é isso que esperamos).

Lembramo-nos da notícia de há cerca de 8 meses: “alguém poderia estar a vir de viagem”. O simples resultado de um teste imunológico de gravidez pode ser difícil de avaliar, quando os neurónio são imbuídos pela ansiedade ambígua de um “casal que quer mas não sabe se quer já” (e as repetivas sinapses não ocorrem devidamente). Ou seja, o POSITIVO pode oferecer dúvidas e ser entendido como “Talvez” ou “Pseudo-Negativo” numas primeiras 50 leituras de um resultado de análises. Mas depois disso, encontrámos no dicionário que o tal POSITIVO afirmava a nova existência da nossa EMA.

A partir de então, o amor foi crescendo ao mesmo tempo que a Ema se desenvolvia: a primeira ecografia, as primeiras análises, os suplementos vitamínicos, os cuidados alimentares, os hábitos de vida saudável, os primeiros movimentos da Ema mensuráveis, as ecografias seguintes (e a evolução que a Ema teve), o batalhão de exames, as visitas regulares às senhoras enfermeiras e à senhora doutora, a barriguita da mamã a tornar-se um balão bem cheio e bonito, a partilha dos papás e família…tudo isto recheou a preparação para a chegada do bebé Ema.

E tudo isto foi gradual, mas num ápice se passou! Damos agora conta que os 8 meses de gravidez foram super-mega rápidos e que ainda estamos a digerir que a partir deste verão vamos ser 3! A preparação para a parentalidade ultrapassa um simples curso, os meses gestacionais e todo o seu planeamento. Na verdade, pensamos que fomos “preparados” socialmente para ser pais, desde sempre: as brincadeiras de infância, os filmes e livros,  a partilha entre amigos e família, as matéria da escola e as nossas profissões.  Essa preparação não termina nem se inicia quando a gravidez acontece, antecede-a e prolonga-se para sempre!

No nosso caso específico, a gravidez da Ema tem corrido super bem! Quer dizer, não temos alterado grandemente a nossa vida por estarmos grávidos, temos inclusivé melhorado a nossa relação a 2 e os hábitos de vida diários. Não houve desconfortos nem constrangimentos significativos relacionados com a nossa gravidez.

Mas…nem tudo é perfeito: a ambiguidade de sentimentos, ideias e objetivos é constante, mas por nós normalmente aceite. “O querer, mas talvez não querer já ou desta forma”, “o receio do desconhecido”, “as dúvidas sobre ser ou não bons pais”, “o medo de não sermos capazes”, “conhecer a Ema e saber se está bem”, “a irreversibilidade deste projeto pessoal e familiar”, “como é manter uma família” e “as mudanças na vida individual de cada um de nós”…todas estas são questões que nos assombram diariamente. No entanto, se assim não fosse, não teríamos oportunidade de as discutir e de melhor nos prepararmos para o que aí vem! Dentro em breve teremos, esperamos nós, um bebé sem instruções. E depois? O que fazemos?

Pois é? Não sabemos bem, mas temos a certeza que o controlo e organização do nosso dia a dia vai mudar. Quem vai comandar (pelo menos nos primeiros tempos) pode ser o novo membro da família. Férias? Achamos que não serão as férias em que descansamos como habitualmente, mas podem ser umas boas férias de outra maneira! Temos a sorte de estarmos os 3 juntos no mês em que se prevê que a Ema nasça, o que pode ser um ponto a nosso favor para a melhor adaptação da tríade. E a partir daí veremos. O foco agora será: Planos a curto prazo! Organização sem exagero! Maior tolerância e respeito mútuo! Visto deste modo, até parecem uma ótimas férias!

 

Este testemunho foi gentilmente escrito por:

Sara Ramos

Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica
Conselheira em Aleitamento Materno
Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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