baby_sleeping_teddy_bear

por

Uma das importantes contribuições de Winnicott para a compreensão do desenvolvimento mental é o conceito que o próprio designou de fenómenos e objectos transicionais. Tratam-se de objectos que constituem uma espécie de ‘ponte’ entre os mundos interno do bebé e externo (o que rodeia a criança). Um objecto concreto selecionado e preferido pelo bebé e pela criança pequena em certas situações com vista a alcançar a tranquilidade. Este objecto pode ser um ursinho de peluche, uma fralda, uma manta, etc.
Em termos psicológicos, o objecto transitivo é um mediador entre o mundo interno do bebé e o mundo externo, faz a transição entre a primeira relação com a mãe para uma relação com o objecto/a pessoa que não é a mãe (daí o termo transitivo).
À sua utilização Winnicott atribui 3 aspectos/características essenciais: um tipo evolutivo (encarado como uma etapa do desenvolvimento), um tipo vinculado às angústias de separação e às defesas contra elas (nível defensivo) e um espaço dentro da mente do indivíduo (Bleichmar & Bleichmar 1989). Isto é, o objecto transicional, serve a experimentação e a demarcação dos limites mentais. O peluche ou o cobertor (etc) é algo que não é o bebé mas é só do bebé. Ele percebe-o assim: ‘isto não sou eu, mas é só meu!’, daí ser tão difícil quando a mãe tenta lavar aquela fralda que já está suja, ou o peluche todo babado e o bebé simplesmente… não permite!!

Algumas características do objecto transitivo, importantes e a reter:

  1. a criança afirma uma série de direitos sobre o objecto, respeitados pelos adultos;
  2. o objecto é afectuosamente tratado mas também amado e ‘mal-tratado’ de forma intensa;
  3. não deve ser mudado (a menos que a criança assim o queira);
  4. deve sobreviver ao amor, ao ódio ou à agressão pura (esta característica é especialmente importante: ao perceber que o objecto não fica irremediavelmente estragado, a criança percebe também que os seus objectos internos e externos não são destruídos por si);
  5. assim, o objecto interno (Eu), que se encontra em construção, fortalece-se, ao mesmo tempo que a criança consegue neutralizar a sua agressão);
  6. parecerá à criança que o objecto lhe dá calor, que se move ou que faz ou possui mais qualidades do que na realidade tem;
  7. embora para o adulto proceda do exterior, do ponto de vista da criança tal não se afigura como óbvio. No entanto, para ela o objecto também não vem do interior (isto é, não se trata de uma alucinação).
Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

Latest posts by Helena Eiro Ferreira (see all)