64b38fc649

por

Para a Mãe chegou o momento mais feliz da sua vida: após nove meses intensos de alegria, ansiedade, espera, depois de horas de sofrimento (?) com contracções dolorosas, chegou finalmente a altura de ter o seu bebé nos braços. Depois de tantas semanas a imaginar como seria… aconteceu e está a um palmo de si (ou menos).

Que pequenino! Que pele sedosa, que cheiro bom, que quente que está! Tem um ar frágil e indefeso, como se procurasse abrigo, aconchego, um lugar onde ficar confortável. E procura tudo isso.
Muitas vezes tem-se receio de pegar nele e magoar, nem se sabe bem como pegar, quase se molda nos nossos braços de ser tão tenro.

E assusta a forma como a enfermeira parteira o agarra e nos mostra como não é assim tão frágil e incapaz.

(Imagem arquivo pessoal)

As aparências iludem.
Grande truque da natureza colocar  no bebé um extraordinário equipamento de série! Porque essa aparente debilidade atrai-nos, faz-nos querer pegar, cuidar, mimar, amar.

E como vive o bebé as suas primeiras horas neste mundo? Apenas podemos imaginar.
Sabemos que cada bebé é único e as reacções ao nascimento são diversas. Enquanto alguns bebés parecem alheios a tudo, outros há que abrem de imediato os olhos observando assustados tudo o que os rodeia, outros ainda choram (devido ao esforço feito) muito, outros parecem surpreendidos com o que acaba de acontecer…

Mas independentemente de como sentem o próprio nascimento, a verdade é que estão bem preparados para iniciar a vida no exterior, pois na barriga da mãe já praticaram as funções básicas para a sobrevivência: sugar, engolir e respirar. Daí que rapidamente se adaptam às desconhecidas condições do mundo externo.

Cá fora, o bebé inspira e expira por sua conta. Os pulmões enchem-se de ar como um balão e, devido à pressão exercida pelo ar que entra, os possíveis restos de líquido amniótico passam ao interstício pulmonar  (uma espécie  de massa que suporta as células) e é reabsorvido. Por vezes, passam apenas uns segundos até que o bebé respire de forma regular e o seu sangue fique carregado de oxigénio. Durante este processo, a sua pele tem um ligeiro tom azulado mas, geralmente, muda para rosado em questão de segundos.

Ao respirar pela primeira vez, o sistema circulatório do também sofre alterações. No ventre materno, a circulação acontecia com ambos os ventrículos a bombear sangue um de cada vez.  Agora, o sangue rico em oxigénio flui do pulmão até ao ventrículo esquerdo e, dali, para o resto do corpo, e o sangue usado volta ao pulmão pelo ventrículo direito.

Entretanto, uma das questões que mais preocupa os pais de um bebé recém-nascido é a mudança brusca de temperatura a que ele está sujeito: passa dos 37 graus que costumam existir no ventre materno para os cerca de 25 graus da sala de parto. Assim que nasce, o bebé é muitas vezes (mas nem sempre) envolvido em toalhas quentes. Mas também aqui a natureza é sábia e previdente. Algum tempo antes de nascer, forma-se à volta do pescoço do bebé, dos ombros e da zona dos rins uma espécie de gordura, que é queimada pelo organismo durante os primeiros dias para o proteger do frio (dái que no primeiro dia após o parto é usual não se dar banho ao bebé). Quando nascem, a maioria dos bebés estão cobertos por esta película gorda (vérnix). A sua função é evitar que o líquido amniótico amoleça a pele do bebé enquanto este se encontra no ventre materno. Depois, uma espécie de termóstato no cérebro (o hipotálamo) encarrega-se de regular a temperatura corporal.

Tudo o que o feto necessita chega-lhe do organismo da mãe através da placenta e do cordão umbilical. Mas uma vez fora do útero, o bebé tem que pedir que o alimentem. Graças ao reflexo de sucção, o bebé é capaz de mamar do peito da mãe segundos depois de nascer e, desta forma, recebe o valioso colostro, que o protege contra infecções. Passados dois ou três dias, já se alimentará do leite materno normal.

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

Latest posts by Helena Eiro Ferreira (see all)