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Querida Carlota,

 

Hoje faria 95 anos a tua bisavó Adelina.

Quero falar-te dela.

Não vou estender-me sobre o dia da sua partida, onde a vi com uma grande paz e serenidade reflectidas na sua face de tez pálida.

Vou falar-te de coisas boas.

De como trouxe à minha existência uma alegria e felicidade infindáveis.

De como me ensinou a a andar, a dormir sozinha, a comer sozinha. De como me ensinou a ler e escrever.

De como despertou em mim o gosto imenso da música. Cantava tanto enquanto lavava roupa ou loiça. E eu ouvia deliciada.

De como me ensinou ditados populares. Muitos! Ainda hoje os sei de cor e conto ensinar-tos um dia.

De como brincávamos juntas a esticar os lençóis secos ao sol, ou na cozinha a vê-la cozinhar.

E por falar em cozinha, que maravilhoso se tornava um prato de batatas fritas e ovos mexidos. E as sopas? E os bolinhos de bacalhau? Nham nham… Que sabor! Era tão bom quando almoçávamos apenas as duas. Momentos nossos e íntimos.

Pessoa de poucas falas, com um coração do tamanho do Mundo e com um grande sorriso para todas as minhas palhaçadas (tenho uma veia Tété dentro de mim).

De como lhe arrancava segredos de família (ui!) de fazer bradar aos céus! :)

De como era bom arreliá-la (:)), fazer-lhe judiarias. E eu era mestre nisso (não aprendas com a mãe), fazia-lhe das boas.

Falei-te dela. Um bocadinho só.

O resto falamos depois. Eu e tu, Loti.

Beijos da mamã.

 

 

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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