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De quem é o parto?

É costume dizer-se que o médico “faz o parto”. E tira o bebé apressadamente da mãe. E o bebé precisa de ser imediatamente limpo ( o que nos pode levar a pensar que, na nossa cultura, a mãe é vista de alguma forma como ‘suja’, ‘contaminadora’).

Os berçários hospitalares (que inicialmente foram criados para isolar os bebés das mães possivelmente “infectadas” pois não se fazia exame pré-natal para poder identificá-las antecipadamente) são ainda hoje utilizados, mesmo com todas as campanhas a favor do ‘alojamento conjunto’.

A posição horizontal da parturiente (litotomia – na qual a mulher se deita de costas e coloca os pés em estribos), faz com que o esforço do parto seja antigravitacional, sendo o bebé empurrado para cima.

Pois embora esta posição dê ao médico um excelente campo de visão, ela é amplamente criticada por dificultar a mecânica da descida natural do bebé, acabando por fazer com que o períneo seja demasiadamente forçado, aumentando a necessidade de uma episiotomia (cirurgia realizada na musculatura do períneo para facilitar a passagem do bebé).

Qual o lugar da mulher / mãe no momento do parto? Alguém em posição inerte, que trata de dar espaço a quem faz o parto, no caso, o médico?

Psicóloga Clínica (ISCS-N). Mestre em Aconselhamento Dinâmico (ISMT). Psicodramatista (SPPPG). Instrutora de Massagem Infantil (APMI-IAIM). Instrutora de Massagem nas Escolas (AME-MISP). Formação em Vinculação e Psicopatologia. Docente do Ensino Superior. Orientadora / co-orientadora de teses de licenciatura e orientadora de estágios em Psicologia. Formação em Língua Gestual Portuguesa - nível I.

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